segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Por que voto em Dilma

Ao longo das últimas eleições eu tenho votado no PT, cada vez mais com menos esperança
e mais conformismo. As sucessivas administrações petistas nos levaram a assistir um
lento assassinato da maior parte dos sonhos da minha geração. Para governar o PT
teve de abrir mão de muitas coisas que valorizo e sua transfiguração em uma massa amorfa
para compatibilizar interesses e tocar a máquina pública me afastou de qualquer defesa
pública do partido.

Ao assistir o debate ontem eu presenciei uma Dilma afobada e nervosa, assassinando a
nossa pobre lingua pátria, repetindo um discurso preparado de forma meio amadora pelos seus
marketeiros. Serra estava mais preparado, me pareceu mais seguro mais firme em suas convicções e o que é pior, senti que ele estava sendo sincero.

O problema é exatamente sua visão de futuro e a posição que o Brasil ocupa nele. No ideário
do PSDB, o Brasil é um país periférico que deve ser governado por uma elite pensante formada de preferência na USP e algumas instituições privadas.
Deve se focar em formar mão de obra semi especializada e se alinhar aos interesses americanos. O estado deve ser mínimo e o patrimônio público um ítem dispensável. Os funcionários públicos e seus salários "super dimensionados" um problema a ser tratado com cortes de salário e diminuição da máquina pública. A segurança pública é uma questão de polícia e ponto final. Os "bandidos" são como os ratos na teoria da abiogênese, surgem
das roupas sujas.

Estes são os problemas visíveis, mas temos também algumas questões mais obscuras. A era FHC foi marcada por uma política economica que privilegiava o capital financeiro em detrimento da
produção industrial. Todos os que vivemos este período lembramos com um certo frio no estômago, as adversidades que surgem ao permitirmos ao mercado total liberdade para agir. Os que não viveram basta analisar a situação americana e inglesa, que seguiu a assima chamada cartilha neo-liberal. Um dos motivos que nos permitiram sair da crise de 2008, rapidamente foi
o papel regulador do estado, que distribuiu renda e permitiu a consolidação de um mercado interno forte.

Outra questão é o apoio doentio que a imprensa faz à campanha Serra. A imprensa age de forma correta em relação a campanha Dilma, colocando o dedo na ferida sempre que possível, ainda que as vezes crie factóides. Em relação ao Serra em geral temos um silêncio obsequioso. Não acredito que faça isso por motivação ideológica, faz isso devido a interesses muito mais mundanos. Quais são estes interesses só saberemos se o Serra vencer, mas certamente passam por um alívio da imensa dívida que muito dos orgãos de comunicação possuem.

Finalmente temos a guerra santa. A religião tem sido um importante mecanismo de opressão
dos seres humanos. Seu sucesso se deve ao fato de que consiga oprimir sem a intervenção de nenhum meio físico. A campanha Serra em conluio com grupos religiosos vem lançando uma terível campanha moralista contra as bandeiras sociais do PT o que repercute muito diretamente no eleitorado de baixa renda e baixa escolaridade. O custo que teremos de pagar por esse apoio apareceu no debate, socorro as santas casas e deve ser extendido também para outros setores controlados pela igreja como o ensino confessional.

O Voto em Dilma é o melhor voto possível neste cenário.

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